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BOR #2023: Apoio para as Famílias do Clero

2023. Apoio para as Famílias do Clero

Ao longo dos últimos anos, os membros do clero, quer sejam solteiros ou casados, e as suas famílias continuaram a expressar sérias preocupações quanto à tensão que sentem nas suas congregações. Esta frase, “vida no aquário”, descreve como Frank J. Stalfa, terapeuta do/a pastor/a e do pessoal, observa a vida dos membros do clero e dos seus cônjuges e familiares nas nossas congregações locais. A imagem é dolorosamente precisa sobre a situação cheia de expectativas irrealistas, limites praticamente inexistentes para privacidade e tempo pessoal, vidas interrompidas, crises em carreiras e programas educacionais, demandas indetermináveis das necessidades congregacionais e pressão para o cônjuge e os filhos dos pregadores, para serem pessoas sem necessidades pessoais ou profissionais, assim como cristãos perfeitos e “exemplares”.

A síndrome de “filhos de pregadores” é documentada em pesquisa sobre crianças e jovens pertencentes a famílias de clérigos, e menciona a pressão feita sobre os filhos de membros do clero para estabelecerem um padrão elevado para as outras crianças seguirem (o/a aluno/a perfeito/a, o filho ou a filha modelo, os jovens mais dotados), limitando potencialmente a sua individualidade e o seu desenvolvimento. O apoio, o encorajamento, e as oportunidades para os filhos de pregadores compartilharem as suas pressões e alegrias estão a ser abordados através de retiros para os filhos de pregadores organizados pelas conferências anuais, blogues (www.preacherkids.com <http: www.preacherkids.com="">) e o reconhecimento crescente entre as congregações de que estas oportunidades e pessoas são fundamentais para a saúde e o bem-estar dos filhos dos pregadores.</http:>

O Inquérito aos Cônjuges e às Famílias do Clero de 2009 (2009 Clergy Spouse and Family Survey), realizado pela Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher (GCSRW), em colaboração com a Junta Geral de Educação Superior e Ministério, a Junta Geral de Pensões de Aposentação e Benefícios de Saúde e a Junta Geral do Discipulado, recebeu mais de 3100 respostas de cônjuges de membros do clero da Igreja Metodista Unida. Este inquérito confirmou muitas das respostas ao inquérito à Liderança realizado em 1992, em relação aos factores contribuintes para a tensão matrimonial entre as famílias de membros do clero: tempo insuficiente juntos, uso de dinheiro, nível de rendimento, dificuldades de comunicação, diferenças relativas a actividades de

lazer, dificuldades em criar os filhos, a ira do/a pastor/a contra o cônjuge e as diferenças em relação à carreira do ministério pastoral e à carreira do cônjuge. Um resultado significativo e preocupante do inquérito à Liderança foi que 80% dos clérigos relataram que acreditavam que seu ministério pastoral afectava negativamente as suas famílias. O Inquérito aos Cônjuges e às Famílias do Clero de 2009 revelou reflexões semelhantes dos cônjuges e também várias mudanças ocorridas entre os cônjuges de membros do clero.

Embora a maioria dos cônjuges do clero seja do sexo feminino, um número crescente destes cônjuges é do sexo masculino. Este facto questiona como o “papel” do cônjuge do membro do clero pode estar relacionado mais com o género do que com a “posição” como cônjuge de um membro do clero. Cabe destacar que entre as diferenças em como os homens casados com clérigas são tratados incluem: em vez de serem chamados cônjuge do membro do clero, são os “homens casados com um ministro pastoral”, e as expectativas depositadas nas mulheres que são cônjuges de um clérigo não são depositadas nos homens que são cônjuges de uma clériga, tais como a prestação de cuidados aos filhos, fazer parte de um grupo coral, ser professora numa escola da igreja para crianças ou estar presente nos serviços de culto. O seu desenvolvimento de uma identidade pessoal e profissional separada pode não ser a dificuldade que enfrentam muitas mulheres cônjuges, as quais lutam para manter uma carreira ou tempo passado com a família ou oportunidades educacionais. Isso sugere que as expectativas dos cônjuges de membros do clero podem não só ser tradicionais, mas também relacionadas com o género. Mais estudos poderiam orientar a Igreja sobre como ministrar efectivamente aos cônjuges de membros do clero e às congregações, enquanto as ditas funções continuam o seu processo de transição.

A identidade do papel ministerial de apoio “tradicional” entre os cônjuges do clero também está a mudar. Em gerações anteriores, o cônjuge do/a pastor/a estava geralmente disponível para fornecer liderança adicional na igreja local. No entanto, o inquérito de 2009 revelou um conjunto muito diferente de compromissos da vida, uma vez que os cônjuges de membros do clero agora estão a trabalhar a tempo inteiro (55%), a tempo parcial (17%), com apenas 12% capazes de ficar em casa pai/mãe/pessoa que trata da casa; 30% dos cônjuges de membros do clero têm diplomas universitários e 43% possuem diplomas de pós-graduação, representando ser um dos grupos mais altamente qualificados da denominação; entre os

inquiridos, 78% eram mulheres e 21,7% eram homens; 70% acreditavam que os seus filhos estão satisfeitos por ser “filhos de um/a pregador/a” e 18% dos pais indicaram que não sabiam como os seus filhos avaliariam a sua experiência; 80% dos cônjuges são casados pela primeira vez e classificaram a sua satisfação conjugal como muito elevada (note-se que este inquérito não conseguiu incluir os cônjuges divorciados do clero da IMU); e 49% estão na faixa etária de 51 a 64 anos, com um total combinado de 38% com menos de 50 anos de idade. A mudança da natureza do papel do cônjuge do clero ainda tem de alterar muitas expectativas de muitas das nossas congregações. (“The Clergy Spouses and Families in the United  Methodist  Church  Survey”,  2009, <http://www.gcsrw.org/ ClergyFamilyandSpouseSurvey/aspx>).

Embora o inquérito de 2009 tenha demonstrado que os papéis e as expectativas dos cônjuges dos membros do clero estão a mudar, também revelou que as experiências de ser invisíveis, solitários, alvos de falatórios e hostilidades de paroquianos, frequente desconsideração das necessidades das famílias dos membros do clero, nomeadamente de habitação adequada, segura e eficiente e das carreiras e desenvolvimento profissional dos cônjuges e a desconfiança crónica das consequências da procura de aconselhamento profissional, conjugal e/ou familiar por receio de como a Igreja (conferência anual e local) possa considerá-los como sendo “problemáticos” continua a ser demasiado comum entre os nossos cônjuges de membros do clero.

É impensável acreditar que as congregações desejem intencionalmente a ansiedade e o sofrimento que a vida vivida como num “aquário” possa causar. Certamente que, muitos paroquianos achariam inaceitável que as suas expectativas e exigências (faladas e não faladas) causassem sofrimento e dificuldades adicionais à(s) família(s) do(s) seu(s) membro(s) do clero.

Comunidade cristã para todas as nossas famílias

Como metodistas unidos imaginamos igrejas e congregações em que todos os filhos de Deus são bem-vindos à Mesa, todos são acolhidos e respeitados pelos seus próprios dons e talentos, e são transformados para ser Cristo para os outros no mundo. Somos uma Igreja de discípulos, cada um deles para se envolver

completamente na transformação do mundo, independentemente do seu estatuto familiar.

A nossa Igreja atribui grande valor às nossas famílias, mas as necessidades e crises das famílias dos nossos membros do clero podem passar despercebidas, não identificadas e não resolvidas. As famílias dos membros do clero são como todas as outras famílias com qualidades e tensões semelhantes a todas as famílias. Precisam de ter privacidade e limites que protegem a vida, assim como outras famílias têm.

O que se pode fazer?

Os papéis do cônjuge e da família do membro do clero são únicos e frequentemente assumidos como garantidos. Estes papéis são, no entanto, críticos para o bem-estar e o sucesso do ministério do clero. Apoiar a saúde emocional, espiritual, física e económica das famílias dos nossos membros do clero é um ministério para recomendar a cada congregação e conferência anual. Para reconhecer que os membros do clero têm famílias que apresentam diferentes formas e têm diferentes necessidades, os congregantes podem:

  1. Examinar as suas próprias atitudes, percepções e expectativas, identificando-as quando estas não são realistas ou são impraticáveis;
  2. Fazer a si mesmos as perguntas que identificarão qualquer sexismo ou racismo nas suas expectativas e suposições: se este cônjuge ou familiar do membro do clero fosse de outro género ou de outra raça, será que eu teria as mesmas expectativas? Será que eu faria as mesmas suposições? Será que eu reagiria de forma diferente se fosse membro de uma família congregacional?

3. Não esquecer que os membros do clero e as suas famílias são seres humanos com as suas próprias vidas pessoais e profissionais;

4. Providenciar uma forma de partilhar segura e honesta às famílias dos membros do clero quando a tensão se acumula;

5. Encorajar as famílias dos membros do clero a procurar obter ajuda e tomar mesmo a iniciativa de providenciar recursos e apoio;

6. Clarificar com regularidade e manter as suas expectativas realistas, reconhecendo que os pedestais são para as estátuas;

7.    Reservar tempo em família e proteger os limites da vida

familiar;

8. Providenciar residências pastorais adequadas, limpas, saudáveis, seguras e eficientes (as quais as famílias dos membros do clero também devem tratar com respeito e cuidado), pressupondo que esta é a casa da família e do membro do clero e não uma extensão da propriedade da igreja.

As congregações podem compartilhar os modelos efectivos e renovadores que funcionam nas áreas episcopais e conferências em torno da Igreja, incluindo, entre outros, os seguintes:

1. “What Do I Do If . . .?Basic Information Handbook for Clergy Spouses (O que devo fazer se . . .?Manual de Informações Básicas para os Cônjuges de Membros do Clero), da Conferência de Iowa, distribuído pelos cônjuges de membros do clero após o comissionamento ou ordenação do seu cônjuge.

2. O programa da Conferência da Florida de educação, cura e cuidados preventivos para os membros do clero e as suas famílias, chamado Shade and Fresh Water (Sombra e Água Fresca). (Esta abordagem em três partes inclui uma presença terapêutica para famílias em crise ou que necessitam de apoio, incluindo aconselhamento profissional e um espaço seguro; um programa preventivo para famílias de clérigos em transição de nomeações; e um programa de auto-suficiência que incentiva modelos saudáveis de vidas bem equilibradas).

3. Programas variados, orientação e iniciativas de organizações como The Center for Ministry (Centro para Ministérios), o Center for Pastoral Effectiveness and Spiritual Direction (Centro para Eficiência Pastoral e Direcção Espiritual) e sítios Web para pastores, tais como o “Desperate Preacher ’s Site” (Sítio Web para o Pastor Desesperado), PreachersKids.com, para os filhos de pregadores, e spouseconnect.blogspot.com, para os cônjuges contactarem entre si.

4.    O sítio Web www.gcsrw.org/Clergyspouse <http: www.gcsrw.org="" clergyspouse=""> </http:>para publicações e envio de artigos, eventos, retiros e recursos para os cônjuges de membros do clero e as suas famílias.

5. O livro, How the Other Half Lives: The Challenges Facing Clergy Spouses and Partners (Como Vive a Outra Metade: Os Desafios Enfrentados pelos Cônjuges e Parceiros(as) de Membros do Clero), da autoria de Johnna Fredrickson & William A. Smith. Publicado por The Pilgrim Press, Cleveland, Ohio, 2010.

6. Clergy Housing Handbook: Parsonages (Manual sobre Habitação para Membros do Clero: Residências Pastorais), disponível em: www.gcsrw.org/clergyspouse <http: www.gcsrw.org="" clergyspouse=""></http:>.

Trata-se de uma compilação de melhores práticas de conferências anuais com recomendações relativas à habitação

e listas de verificação, concebidas para facilitar uma comunicação franca, saudável e acolhedora entre os membros do clero, os seus cônjuges e famílias, assim como os seus congregantes.

7. A colaboração contínua entre a Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher, a Junta Geral de Educação Superior e Ministério, a Junta Geral de Pensões de Aposentação e Benefícios de Saúde e a Junta Geral do Discipulado e a Comissão Geral sobre Religião e Raça.

    Por conseguinte, fica resolvido, que a Conferência Geral da Igreja Metodista Unida solicite a cada um dos seguintes grupos para enfrentar esta crise crescente entre as nossas famílias de membros do clero:

1. A Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher trabalhará em colaboração com a Junta Geral de Educação Superior e Ministério, a Junta Geral de Pensões de Aposentação e Benefícios de Saúde e a Junta Geral do Discipulado para convocar uma cimeira para a pesquisa de questões que afectam os cônjuges e as famílias de membros do clero, para identificar e promover recursos existentes relevantes e eficientes, planear o desenvolvimento de recursos adicionais necessários para abordar estes problemas e apresentar recomendações de carácter legislativo à Conferência Geral de 2016.

2. Bispos, gabinetes e juntas de ministério ordenado promoverão recursos específicos das conferências, modelos de formação e de orientação e programas de assistência e aconselhamento a todos os membros do clero e às suas famílias.

3. Os comités de relações entre o pessoal e as paróquias usarão estratégias e recursos de formação para os seus membros em relação a problemas específicos dos membros do clero e das suas famílias.

4. Os/as superintendentes de distritos e os seus cônjuges podem ser chamados a providenciar modelagem de comportamentos e liderança para as suas famílias de membros do clero através de estratégias bem sucedidas. Os/as superintendentes darão

prioridade a esta questão enquanto trabalham com congregações locais sobre transições e nomeações em curso.

5. As comissões de conferências anuais sobre o estatuto e papel da mulher observarão os cônjuges e as famílias de membros do clero para ajudar as conferências anuais, os bispos e os gabinetes, assim como as agências gerais na recolha de dados e no desenvolvimento de recursos e estratégias em resposta aos desafios da vida nas famílias de membros do clero.

6. A Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher alojará uma página no sítio Web www.gcsrw.org <http: www.gcsrw.org=""> </http:>dedicado a divulgar e publicar recursos, hiperligações e eventos da conferência disponíveis e relacionados com ministérios de apoio aos cônjuges e famílias de membros do clero.

7. A Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher publicará em www.gcsrw.org <http: www.gcsrw.org=""> </http:>o manual intitulado Clergy Housing Handbook: Parsonages (Manual sobre Habitação para Membros do Clero: Residências Pastorais) para uma fácil disponibilidade e acesso livre pelas igrejas locais e conselhos de administração das conferências, concelhos de relações entre pessoal e congregantes, bispos, gabinetes, juntas de ministério ordenado e comissões sobre o estatuto e papel da mulher.

8. A pesquisa e os dados provenientes das conclusões da cimeira da Comissão Geral sobre o Estatuto e Papel da Mulher (GCSRW) em colaboração com outras juntas, conselhos e agências gerais da igreja serão publicados num documento de síntese disponibilizado para ser utilizado pelas conferências anuais da Igreja Metodista Unida e por outras denominações e entidades religiosas.

APROVADO EM 2004

EMENDADO E REAPROVADO EM 2012

RESOLUÇÕES 2023, 2008 do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2012

RESOLUÇÃO 22 do LIVRO DE RESOLUÇÕES de 2004

Ver Os Princípios Sociais, ¶ 161B.

 

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