Promovendo Relações Igualitárias na IMU ao Analisar o Futuro das Jurisdições
A Mesa Conexional publicou o Resumo do Estudo da Petição 8 sobre Jurisdições, um documento de pesquisa qualitativa que examina como as estruturas jurisdicionais da Igreja Metodista Unida afetam relações, representação e ministério em toda a denominação. O estudo se baseia em 71 entrevistas realizadas de julho a dezembro de 2025 com leigos, clérigos, bispos e líderes da denominação dos Estados Unidos, da África, da Europa e das Filipinas.
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Em números
| Indicador | Número |
|---|---|
| Total de entrevistados | 71 |
| Bispos entrevistados | 10 |
| Agências Gerais representadas | 13 |
| Duração do estudo | 6 meses (julho–dezembro de 2025) |
| Entrevistados de fora dos EUA que se opuseram às jurisdições em sua região | 95% |
Sobre o estudo
A Petição 8 sobre a Regionalização Mundial autorizou a Mesa Conexional e o Comitê Permanente de Assuntos das Conferências Regionais fora dos EUA a conduzir um estudo formal sobre o futuro das jurisdições na Igreja Metodista Unida, tanto nos Estados Unidos quanto nas Conferências Centrais e Regionais em todo o mundo.
A Mesa Conexional, à qual o ¶905.6 do Livro de Disciplina atribui a responsabilidade de exercer liderança na área de pesquisa, encomendou o estudo para lançar as bases de um discernimento em toda a denominação. O resumo resultante foi preparado por Grace Sill, estagiária da United Ministries, e publicado em janeiro de 2026.
O estudo buscou responder a três perguntas centrais:
- As jurisdições devem ser mantidas nos EUA e, em caso afirmativo, sob qual forma?
- As Conferências Regionais fora dos EUA têm interesse em ter jurisdições?
- Como a IMU pode se preparar para possíveis mudanças estruturais nas jurisdições?
Contexto histórico: as jurisdições e suas origens
Em 1939, a Jurisdição Central, organizada com base em critérios raciais, foi criada como um acordo controverso para possibilitar a união da Igreja Metodista Protestante, da Igreja Metodista Episcopal e da Igreja Metodista Episcopal do Sul. A Jurisdição Central impedia estruturalmente que bispos negros e afro-americanos servissem em igrejas brancas do Sul, institucionalizando a segregação racial na Igreja Metodista.
Em 1968, a Jurisdição Central foi abolida como condição para a fusão da Igreja Evangélica dos Irmãos Unidos com a Igreja Metodista, formando a Igreja Metodista Unida. Embora a Jurisdição Central tivesse institucionalizado a segregação, ela também havia criado caminhos de acesso para o clero e a liderança negra e afro-americana. Sua dissolução, sem que houvesse proteções estruturais adequadas, eliminou esses caminhos.
O resumo observa que, desde 1939, o racismo e o colonialismo incrustados nas estruturas institucionais metodistas têm sido “repetidamente estudados e questionados”, mas estudos anteriores encomendados pela Conferência Geral não conseguiram promover mudanças duradouras na estrutura e no sistema de governo da IMU.
“A IMU criou lugares e espaços que possibilitam a centralização do poder.”
Hoje, a ratificação da regionalização, o declínio do número de membros nos Estados Unidos, o crescimento na África e a redução dos recursos financeiros levam a IMU a enfrentar os legados de racismo e colonialismo que persistem nas estruturas jurisdicionais.
Como o estudo foi conduzido
O estudo qualitativo foi organizado pela Mesa Conexional e conduzido de julho a dezembro de 2025 por Grace Sill, estagiária da United Ministries. Os pesquisadores buscaram intencionalmente alcançar leigos e clérigos que representassem um recorte dos caucus e grupos da IMU, bem como identidades raciais e étnicas, faixas etárias e gêneros variados. Alguns entrevistados da África, da Europa e das Filipinas enviaram respostas por escrito, de modo a acomodar diferenças linguísticas e de agenda.
Organizações representadas entre os entrevistados
- Comitê Permanente para os Assuntos da Conferência Central
- Comitê Episcopal Inter-jurisdicional
- Pacto de Natal
- Rede de Ministérios de Reconciliação
- Metodistas Negros para a Renovação da Igreja
- Grupo Nacional dos Metodistas Unidos das Ilhas do Pacífico
- Rede Conexional de Jovens
Composição racial e étnica dos entrevistados
| Identidade racial / étnica | Percentual |
|---|---|
| Branco | 53,5% |
| Negro | 25,4% |
| Asiático / Ilhas do Pacífico | 15,5% |
| Hispano-Latino | 4,2% |
| Indígena Americano | <1% |
Observação: por se tratar de um estudo qualitativo, os dados demográficos dos participantes são descritivos e não pretendem ser estatisticamente representativos de toda a denominação.
Principais conclusões
Entre os participantes dos EUA e de outras regiões, o estudo revelou temas constantes sobre o efeito das jurisdições na confiança, no poder e no ministério, e ao mesmo tempo identificou diferenças importantes de perspectiva entre os membros dos EUA e os das demais regiões.
- A maioria dos membros dos EUA entrevistados apoia eliminar ou alterar as jurisdições após a Conferência Geral de 2028.
- 95% dos entrevistados da África, da Europa e das Filipinas não apoiaram a implantação de jurisdições em sua região. Todos os entrevistados da Europa e das Filipinas afirmaram que suas atuais estruturas institucionais atendem às suas necessidades. A maioria dos entrevistados africanos considerou a regionalização um bom passo rumo à equidade e não acreditava que as jurisdições beneficiariam a África.
- As jurisdições reforçam divisões que permitiram às igrejas brancas dos EUA centralizar poder com base em maior número de membros e maiores recursos financeiros.
- As jurisdições reforçam a falta de confiança. Como foram criadas para separar, os entrevistados afirmaram que elas continuam a gerar desconfiança em toda a denominação. A tensão recente decorrente da nomeação de um bispo da Jurisdição Sudeste (SEJ) para uma conferência anual da Jurisdição Nordeste (NEJ) foi citada como um exemplo atual.
- Os entrevistados apontaram a Mesa Conexional como um espaço neutro e confiável para facilitar conversas sobre racismo e descolonização em toda a conexão.
- Vários entrevistados afirmaram que a IMU tem a responsabilidade de se arrepender da história racista incrustada nas estruturas jurisdicionais desde 1939.
“Como seria nos apoiarmos na melhor parte da nossa identidade e sonharmos a próxima possibilidade?”
Conclusão e caminho a seguir
As conclusões do estudo sustentam que a IMU inicie, em toda a denominação, um tempo de arrependimento e discernimento sobre racismo e colonialismo, em colaboração com a Mesa Conexional e as Agências Gerais, antes de buscar mudanças estruturais nas jurisdições. O resumo aponta a Conferência Geral de 2032 ou 2036 como o horizonte para possíveis mudanças na estrutura e no sistema de governo das jurisdições.
Uma advertência central do resumo: sem uma transformação teológica intencional, a IMU corre o risco de repetir os danos de 1968, quando a Jurisdição Central foi dissolvida sem proteções estruturais adequadas para a representação e a liderança de negros e afro-americanos.
O resumo observa também que a regionalização precisa ser mais bem esclarecida e consolidada antes que a Igreja possa tratar plenamente das estruturas jurisdicionais. Uma vez mais bem compreendidos os efeitos da regionalização sobre as estruturas atuais, a IMU poderá “reimaginar corajosamente se outra estrutura sustenta melhor o ministério regional, as relações regionais e o episcopado nos EUA”.
Seis perguntas para o discernimento denominacional contínuo
O resumo termina nomeando seis perguntas não resolvidas que a IMU precisará enfrentar nos próximos anos. Elas são oferecidas não como conclusões, mas como um convite ao discernimento contínuo em todos os níveis da Igreja.
- Como seriam eleitos os bispos nos EUA sem as jurisdições?
- Como podemos preservar o papel das jurisdições na construção de relacionamentos sem toda a burocracia? Podemos fortalecer a vida das jurisdições sem manter sua burocracia?
- Quem poderia ser prejudicado ou perder poder e voz em razão das mudanças estruturais propostas?
- Como a Igreja pode celebrar nossa unidade em meio à diversidade?
- Como podemos abordar a história e os contextos racistas das jurisdições que continuam presentes na IMU?
- Que espaço entre uma Conferência Regional e uma Conferência Anual permitiria conversas em um nível mais amplo, com uma representação justa e relações de poder mais equilibradas?
Leia o resumo completo do estudo
Baixe o Resumo do Estudo da Petição 8 sobre Jurisdições na íntegra para explorar toda a metodologia, as conclusões e a análise.
Dúvidas ou comentários sobre este estudo?
Entre em contato com a Rev.ª Grace Killian, Assessora de Ministérios Conexionais: [email protected]