Resumo do Estudo da Petição 8 sobre Jurisdições

As cinco jurisdições dos Estados Unidos — cada uma composta por múltiplas conferências anuais — foram estabelecidas em 1939. Embora o processo de regionalização mantenha as jurisdições atuais, um grupo de líderes metodistas unidos está avaliando uma proposta para emendar a Constituição da denominação, a fim de permitir que cada conferência regional — incluindo a dos Estados Unidos — decida se mantém ou não as jurisdições. Mapa extraído do "Livro de Disciplina da Igreja Metodista Unida" de 2025–2028, cortesia da ResourceUMC. Versão em português pelo Rev. Gustavo Vasquez, Noticias MU.
As cinco jurisdições dos Estados Unidos — cada uma composta por múltiplas conferências anuais — foram estabelecidas em 1939. Embora o processo de regionalização mantenha as jurisdições atuais, um grupo de líderes metodistas unidos está avaliando uma proposta para emendar a Constituição da denominação, a fim de permitir que cada conferência regional — incluindo a dos Estados Unidos — decida se mantém ou não as jurisdições. Mapa extraído do "Livro de Disciplina da Igreja Metodista Unida" de 2025–2028, cortesia da ResourceUMC. Versão em português pelo Rev. Gustavo Vasquez, Noticias MU.

Promovendo Relações Igualitárias na IMU ao Analisar o Futuro das Jurisdições

A Mesa Conexional publicou o Resumo do Estudo da Petição 8 sobre Jurisdições, um documento de pesquisa qualitativa que examina como as estruturas jurisdicionais da Igreja Metodista Unida afetam relações, representação e ministério em toda a denominação. O estudo se baseia em 71 entrevistas realizadas de julho a dezembro de 2025 com leigos, clérigos, bispos e líderes da denominação dos Estados Unidos, da África, da Europa e das Filipinas. 

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Em números

Indicador Número
Total de entrevistados 71
Bispos entrevistados 10
Agências Gerais representadas 13
Duração do estudo 6 meses (julho–dezembro de 2025)
Entrevistados de fora dos EUA que se opuseram às jurisdições em sua região 95%

Sobre o estudo

A Petição 8 sobre a Regionalização Mundial autorizou a Mesa Conexional e o Comitê Permanente de Assuntos das Conferências Regionais fora dos EUA a conduzir um estudo formal sobre o futuro das jurisdições na Igreja Metodista Unida, tanto nos Estados Unidos quanto nas Conferências Centrais e Regionais em todo o mundo.

A Mesa Conexional, à qual o ¶905.6 do Livro de Disciplina atribui a responsabilidade de exercer liderança na área de pesquisa, encomendou o estudo para lançar as bases de um discernimento em toda a denominação. O resumo resultante foi preparado por Grace Sill, estagiária da United Ministries, e publicado em janeiro de 2026.

O estudo buscou responder a três perguntas centrais:

  1. As jurisdições devem ser mantidas nos EUA e, em caso afirmativo, sob qual forma?
  2. As Conferências Regionais fora dos EUA têm interesse em ter jurisdições?
  3. Como a IMU pode se preparar para possíveis mudanças estruturais nas jurisdições?

Contexto histórico: as jurisdições e suas origens

Em 1939, a Jurisdição Central, organizada com base em critérios raciais, foi criada como um acordo controverso para possibilitar a união da Igreja Metodista Protestante, da Igreja Metodista Episcopal e da Igreja Metodista Episcopal do Sul. A Jurisdição Central impedia estruturalmente que bispos negros e afro-americanos servissem em igrejas brancas do Sul, institucionalizando a segregação racial na Igreja Metodista.

Em 1968, a Jurisdição Central foi abolida como condição para a fusão da Igreja Evangélica dos Irmãos Unidos com a Igreja Metodista, formando a Igreja Metodista Unida. Embora a Jurisdição Central tivesse institucionalizado a segregação, ela também havia criado caminhos de acesso para o clero e a liderança negra e afro-americana. Sua dissolução, sem que houvesse proteções estruturais adequadas, eliminou esses caminhos.

O resumo observa que, desde 1939, o racismo e o colonialismo incrustados nas estruturas institucionais metodistas têm sido “repetidamente estudados e questionados”, mas estudos anteriores encomendados pela Conferência Geral não conseguiram promover mudanças duradouras na estrutura e no sistema de governo da IMU.

“A IMU criou lugares e espaços que possibilitam a centralização do poder.”

Hoje, a ratificação da regionalização, o declínio do número de membros nos Estados Unidos, o crescimento na África e a redução dos recursos financeiros levam a IMU a enfrentar os legados de racismo e colonialismo que persistem nas estruturas jurisdicionais.


Como o estudo foi conduzido

O estudo qualitativo foi organizado pela Mesa Conexional e conduzido de julho a dezembro de 2025 por Grace Sill, estagiária da United Ministries. Os pesquisadores buscaram intencionalmente alcançar leigos e clérigos que representassem um recorte dos caucus e grupos da IMU, bem como identidades raciais e étnicas, faixas etárias e gêneros variados. Alguns entrevistados da África, da Europa e das Filipinas enviaram respostas por escrito, de modo a acomodar diferenças linguísticas e de agenda.

Organizações representadas entre os entrevistados

  • Comitê Permanente para os Assuntos da Conferência Central
  • Comitê Episcopal Inter-jurisdicional
  • Pacto de Natal
  • Rede de Ministérios de Reconciliação
  • Metodistas Negros para a Renovação da Igreja
  • Grupo Nacional dos Metodistas Unidos das Ilhas do Pacífico
  • Rede Conexional de Jovens

Composição racial e étnica dos entrevistados

Identidade racial / étnica Percentual
Branco 53,5%
Negro 25,4%
Asiático / Ilhas do Pacífico 15,5%
Hispano-Latino 4,2%
Indígena Americano <1%

Observação: por se tratar de um estudo qualitativo, os dados demográficos dos participantes são descritivos e não pretendem ser estatisticamente representativos de toda a denominação.


Principais conclusões

Entre os participantes dos EUA e de outras regiões, o estudo revelou temas constantes sobre o efeito das jurisdições na confiança, no poder e no ministério, e ao mesmo tempo identificou diferenças importantes de perspectiva entre os membros dos EUA e os das demais regiões.

  1. A maioria dos membros dos EUA entrevistados apoia eliminar ou alterar as jurisdições após a Conferência Geral de 2028.
  2. 95% dos entrevistados da África, da Europa e das Filipinas não apoiaram a implantação de jurisdições em sua região. Todos os entrevistados da Europa e das Filipinas afirmaram que suas atuais estruturas institucionais atendem às suas necessidades. A maioria dos entrevistados africanos considerou a regionalização um bom passo rumo à equidade e não acreditava que as jurisdições beneficiariam a África.
  3. As jurisdições reforçam divisões que permitiram às igrejas brancas dos EUA centralizar poder com base em maior número de membros e maiores recursos financeiros.
  4. As jurisdições reforçam a falta de confiança. Como foram criadas para separar, os entrevistados afirmaram que elas continuam a gerar desconfiança em toda a denominação. A tensão recente decorrente da nomeação de um bispo da Jurisdição Sudeste (SEJ) para uma conferência anual da Jurisdição Nordeste (NEJ) foi citada como um exemplo atual.
  5. Os entrevistados apontaram a Mesa Conexional como um espaço neutro e confiável para facilitar conversas sobre racismo e descolonização em toda a conexão.
  6. Vários entrevistados afirmaram que a IMU tem a responsabilidade de se arrepender da história racista incrustada nas estruturas jurisdicionais desde 1939.

“Como seria nos apoiarmos na melhor parte da nossa identidade e sonharmos a próxima possibilidade?”


Conclusão e caminho a seguir

As conclusões do estudo sustentam que a IMU inicie, em toda a denominação, um tempo de arrependimento e discernimento sobre racismo e colonialismo, em colaboração com a Mesa Conexional e as Agências Gerais, antes de buscar mudanças estruturais nas jurisdições. O resumo aponta a Conferência Geral de 2032 ou 2036 como o horizonte para possíveis mudanças na estrutura e no sistema de governo das jurisdições.

Uma advertência central do resumo: sem uma transformação teológica intencional, a IMU corre o risco de repetir os danos de 1968, quando a Jurisdição Central foi dissolvida sem proteções estruturais adequadas para a representação e a liderança de negros e afro-americanos.

O resumo observa também que a regionalização precisa ser mais bem esclarecida e consolidada antes que a Igreja possa tratar plenamente das estruturas jurisdicionais. Uma vez mais bem compreendidos os efeitos da regionalização sobre as estruturas atuais, a IMU poderá “reimaginar corajosamente se outra estrutura sustenta melhor o ministério regional, as relações regionais e o episcopado nos EUA”.


Seis perguntas para o discernimento denominacional contínuo

O resumo termina nomeando seis perguntas não resolvidas que a IMU precisará enfrentar nos próximos anos. Elas são oferecidas não como conclusões, mas como um convite ao discernimento contínuo em todos os níveis da Igreja.

  1. Como seriam eleitos os bispos nos EUA sem as jurisdições?
  2. Como podemos preservar o papel das jurisdições na construção de relacionamentos sem toda a burocracia? Podemos fortalecer a vida das jurisdições sem manter sua burocracia?
  3. Quem poderia ser prejudicado ou perder poder e voz em razão das mudanças estruturais propostas?
  4. Como a Igreja pode celebrar nossa unidade em meio à diversidade?
  5. Como podemos abordar a história e os contextos racistas das jurisdições que continuam presentes na IMU?
  6. Que espaço entre uma Conferência Regional e uma Conferência Anual permitiria conversas em um nível mais amplo, com uma representação justa e relações de poder mais equilibradas?

Leia o resumo completo do estudo

Baixe o Resumo do Estudo da Petição 8 sobre Jurisdições na íntegra para explorar toda a metodologia, as conclusões e a análise.

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Dúvidas ou comentários sobre este estudo?
Entre em contato com a Rev.ª Grace Killian, Assessora de Ministérios Conexionais: [email protected]

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