UM Sexual Ethics
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BOR #2045: Erradicação do Assédio Sexual na Igreja Metodista Unida e na Sociedade

Posted by lolaagency on June 27, 2018

2044. Má Conduta Sexual no Âmbito das Relações Ministeriais Consultar a página 775.

BOR ¶ 2045. Erradicação do Assédio Sexual na Igreja Metodista Unida e na Sociedade

Desde meados da década de 1970, quando o termo “assédio sexual” foi reconhecido pela primeira vez, o mundo observou uma evolução na consciencialização, leis e litígios, políticas, defesa e colaboração internacional para erradicar o assédio sexual no local de trabalho. Nas nossas próprias comunidades, deixámos de discutir se o assédio sexual é ou não um problema e passámos a presenciar mulheres e homens a unir-se através das fronteiras nacionais para abordá-lo em ambientes globais, igrejas e ministérios, assim como locais de trabalho multinacionais.

Desde os anos 90, o assédio sexual é uma forma reconhecida de violência sexual e má conduta nas nossas sociedades e na Igreja Metodista Unida. A Igreja declarou o assédio sexual um pecado contra indivíduos e comunidades, e uma ofensa punível contra os nossos membros do clero e leigos. Essencial para a nossa compreensão do impacto do assédio é o reconhecimento de que é certamente um abuso de poder de uma pessoa sobre outra e não apenas uma conduta imprópria de natureza sexual ou com base no género.

Definições

A começar pela continuidade de comportamentos que inclui o assédio sexual: A má conduta sexual dentro dos relacionamentos ministeriais é uma traição da confiança sagrada. É uma continuidade de comportamentos sexuais ou com base no género não desejados, por uma pessoa leiga ou membro do clero no âmbito de uma relação ministerial (remunerada ou não). Pode incluir o abuso de crianças, o abuso sexual de adultos, o assédio sexual, o estupro ou agressão sexual, os comentários verbais sexualizados ou visuais, o contacto físico ou propostas de natureza sexual indesejadas, o uso de materiais sexualizados, incluindo a pornografia, a perseguição, o abuso sexual de jovens ou de pessoas sem capacidade para consentir ou o uso indevido da posição pastoral ou ministerial usando uma conduta sexualizada para aproveitar-se da vulnerabilidade de outra pessoa. Inclui comportamentos criminosos em algumas nações, estados ou comunidades.

O assédio sexual é uma forma de má conduta sexual. Os Princípios Sociais definem-no como “qualquer comentário sexual indesejado, proposta ou exigência, quer seja de natureza verbal ou física, que seja razoavelmente percebido pelo destinatário como humilhante, intimidante ou coercitivo. O assédio sexual deve ser compreendido como uma exploração e abuso de uma relação de poder e não como uma questão exclusivamente sexual. O assédio sexual inclui, mas não se limita à criação de um ambiente de trabalho hostil ou abusivo resultante de discriminação com base no género” (¶ 161J).

Para esclarecer ainda mais, é um comportamento sexual indesejado ou com base no género, no âmbito de uma relação pastoral, de trabalho, ministerial (incluindo voluntários), de mentor ou colega, que seja tão grave ou generalizado que altere as condições de trabalho remunerado ou em regime de voluntariado ou interfira de forma não razoável com o desempenho do funcionário ou do voluntário. Pode criar um ambiente hostil e ofensivo que pode incluir piadas sexuais indesejadas, repetidas propostas de natureza sexual, contacto físico, manifestações ou comentários que insultam, degradam ou exploram sexualmente mulheres, homens, pessoas idosas, crianças ou jovens.

Geralmente, qualquer um pode ser alvo e qualquer um pode assediar — mulheres, homens, jovens, estagiários, voluntários, todos os grupos raciais e étnicos, qualquer nível de empregado, clero ou leigo. No local de aprendizagem, afecta qualquer aluno de qualquer género, qualquer grau, qualquer professor ou profissional ou qualquer voluntário.

Empresas, governos, congregações e organizações perdem recursos humanos e financeiros significativos quando o assédio é permitido para devastar trabalhadores, clientes ou membros. O assédio prejudica a auto-estima, a produtividade e a capacidade de ministrar ou ganhar salários. Pode resultar em doença, absenteísmo, baixo desempenho, perda de promoções e oportunidades. Para os alunos, pode resultar em fracasso, absenteísmo, isolamento dos colegas, perda de auto-estima e potencial de aprendizagem, afastamento de equipas e grupos, e doenças. As famílias das pessoas vítimas de assédio e outros em locais de trabalho, culto e aprendizagem também são vítimas do ambiente hostil e intimidante que o assédio cria.

Assédio na Igreja

Na igreja, o assédio pode ocorrer entre um funcionário, pastor, presidente da comissão ou do conselho, professor da escola da igreja ou ajudante, estudante, campista, conselheiro, animador de jovens, voluntário ou acompanhante, remunerado ou não. Pode acontecer no autocarro a caminho do campo de férias, num grupo de jovens ou estudo da Bíblia, num computador da igreja ou num ensaio de coro. Os efeitos devastadores sobre as pessoas quando o assédio ocorre numa comunidade de fé comprometem a vida espiritual, o significado teológico e as relações. Para alguns, a perda de uma sensação de segurança e santuário pode ser permanente.

Em 1990, o Conselho Geral de Ministérios divulgou o estudo mandatado pela Conferência Geral em 1988, examinando o assédio sexual na Igreja Metodista Unida. Nessa altura, metade do clero, 20% dos leigos, quase metade dos alunos e 37% dos funcionários da igreja tinham tido uma experiência de assédio num ambiente da igreja. Há quase 20 anos, tínhamos muito trabalho a fazer para erradicar esta forma de má conduta sexual e violência.

Quatro quadriénios depois, o trabalho realizado para a eliminação do assédio sexual na Igreja tem obtido resultados positivos. Trinta e cinco conferências anuais, actualmente, atribuem a supervisão de questões de assédio a uma “equipa”, e muitas conferências exigem uma formação de consciencialização sobre má conduta sexual para todo o clero. Desde que a Conferência Geral mandatou as políticas de assédio sexual em 1996, cada vez mais igrejas de todos os tamanhos continuam a comunicar a existência de políticas em vigor (em 2007: 34% das mais pequenas e 86% das maiores congregações têm políticas, o que significa um aumento em relação a 9% e 36%, respectivamente, em 1995). A Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher tem providenciado apoio e aconselhamento às vítimas e autoridades da Igreja em centenas de casos.

No entanto, as sondagens mais recentes sobre o nosso progresso na erradicação do assédio sexual (2005 and 20071) são muito preocupantes: o assédio sexual continua a ser um problema significativo para mulheres e homens, membros leigos e do clero nas nossas igrejas, programas e propriedades da igreja (incluindo computadores e a Internet):

  1. A consciencialização e o conhecimento da política da denominação sobre o assédio sexual são relativamente elevados (mais entre o clero do que o laicado), mas a consciencialização dos recursos para as vítimas e congregações é muito menor.
  2. Apesar de todas as congregações locais serem obrigadas a ter uma política e um procedimento sobre má conduta sexual, incluindo o assédio sexual, em 2007, apenas 34% das pequenas e 86% das maiores igrejas afiliadas comunicam que os têm.
  3. Noventa por centos de pastores têm frequentado pelo menos uma sessão de formação de ética sexual, mas apenas um de quatro pastores tem participado em formação adicional.
  4. Mais de três quartos de membros do clero do sexo feminino e metade das mulheres leigas tinham sido vítimas de assédio sexual na Igreja (apenas um terço dos homens leigos tinham sido vítimas); os locais e ambientes mais frequentemente mencionados foram reuniões e escritórios da igreja e locais de trabalho e convívios sociais nos seminários.
  5. Os perpetradores, a maioria das vezes, são homens e, cada vez mais leigos na igreja local. O clero comete mais de um terço das ofensas comunicadas. Uma mudança significativa desde o estudo de 1990 foi um aumento significativo no número de leigos que assediam leigos e de leigos que assediam o clero.
  6. As igrejas locais eram mais propensas a trivializar os relatórios e as queixas, enquanto os seminários e os escritórios da Igreja Metodista Unida eram mais propensos a agir contra os ofensores.
  7. Os amigos pessoais e os familiares eram quem ajudava mais as vítimas, enquanto os superintendentes de distrito, os responsáveis pelo pessoal e os administradores de seminário eram quem ajudava menos.
  8. Os efeitos negativos mais duradouros enfrentados pelas vítimas foram a incapacidade de trabalhar com o ofensor, os impactos emocionais e os sentimentos agravados sobre si mesmas e a igreja.
  9. As igrejas que têm menos membros precisam de recursos e formação desenvolvidos especificamente para os seus ambientes e dinâmicas especiais.

1. “Sexual Harassment in The United Methodist Church 2005” (Assédio Sexual na Igreja Metodista Unida 2005) e o “Quadrennial Local Church Survey 2007” (Sondagem Quadrienal das Igrejas Locais de 2007), pela Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher, Chicago, Illinois, Gail Murphy-Geiss, Investigadora Principal.

Na Igreja Metodista Unida, é necessária uma vigilância constante para manter políticas e procedimentos eficazes e actualizados em todos os lugares da igreja. A formação regular dos nossos líderes leigos e do clero é um ministério crítico e contínuo da nossa igreja, com a concentração no uso problemático do “ciber-sexo” (material sexualizado nas telecomunicações) nos programas da igreja, com algo que pertença à igreja ou nas instalações da igreja.

Em 2006, realizou-se um significativo simpósio nacional sobre a má conduta sexual na Igreja Metodista Unida, intitulado “Do No Harm” (Não Fazer Mal). Naquele evento crítico, os participantes pediram aos líderes episcopais que se concentrassem na formação de membros do clero, assim como de líderes leigos e na intervenção precoce com membros do clero problemáticos. Equipas de defesa e intervenção têm trabalhado em muitas conferências, mas não em todas, e todas as áreas episcopais precisam de manter canais e procedimentos efectivos e eficazes. Precisamos e estamos gratos pela forte liderança episcopal em toda a Igreja que afirma as nossas realizações e aborda com vigor as barreiras existentes a uma denominação livre de assédio.

 

Visão da Comunidade Hospitaleira de Deus

O assédio sexual destrói a comunidade. Este comportamento alienante e pecaminoso causa a destruição das relações —- o oposto da intenção de Deus para nós. Desde as primeiras histórias bíblicas da comunidade humana no paraíso até às cartas de Paulo às primeiras comunidades cristãs, aprendemos que todos nós, homens e mulheres, somos criados à imagem de Deus e, assim, tornados iguais em Cristo. Somos chamados a ser despenseiros da comunidade de hospitalidade de Deus, onde, não só, não existe assédio, mas existe sim a presença de acolhimento, respeito e igualdade.

Por conseguinte, a Conferência Geral apela para os esforços intensificados em todo o mundo para erradicar o assédio sexual na denominação e nas suas instituições, incluindo as estratégias que se seguem:

  1. Os líderes episcopais implementam planos para abordar e erradicar o assédio sexual em cada área episcopal, incluindo a formação regular e actualizada do clero, a intervenção precoce com os membros do clero problemáticos e a formação regular de homens e mulheres leigos, especialmente em igrejas com menos membros;
  2. A Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher, em colaboração com as agências apropriadas (incluindo o ministério dos Santuários Seguros da Junta Geral do Discipulado), continua a desenvolver e a distribuir recursos para reduzir o risco do abuso nas igrejas locais e aumentar a compreensão e a acção dos metodistas unidos sobre o assédio sexual na igreja e na sociedade;
  3. A Junta Geral de Educação Superior e Ministério, em colaboração com as agências apropriadas, desenvolve e distribui recursos sobre o assédio sexual, especificamente para os que estão no ministério ordenado e para os líderes leigos, alunos, professores e administradores de instituições educacionais relacionadas com a Igreja Metodista Unida.
  4. As conferências anuais em toda a conexão incentivarão os seus governos locais e nacionais a recolher dados precisos sobre a incidência e a natureza do assédio sexual nos seus locais de trabalho e incentivarão os seus governos nacionais a adoptar leis, políticas e procedimentos para erradicar o assédio sexual;
  5. A Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher continua a acompanhar e a avaliar o progresso da Igreja na erradicação do assédio sexual e procurará maneiras de comunicar as suas descobertas à Igreja sobre as áreas específicas a fortalecer na vida da Igreja, incluindo o desenvolvimento de políticas, prevenção, educação e formação;
  6. A Junta Geral da Igreja e da Sociedade e a Junta Geral de Ministérios Globais lutarão por leis que proíbem o assédio sexual em locais de trabalho nos Estados Unidos e continuarão a fornecer recursos à denominação sobre iniciativas internacionais para erradicar o assédio e outras formas de violência contra a mulher;
  7. A Divisão de Unidade Cristã e de Relações Inter-religiosas trabalhará em colaboração com a iniciativa do Conselho Mundial de Igrejas intitulada “Década para Ultrapassar a Violência” [“Decade to Overcome Violence”] (2001-2010); e
  8. A Comissão Geral sobre a Situação e o Papel da Mulher continua a realizar avaliações do progresso da Igreja Metodista Unida para erradicar da Igreja, em todo o mundo, este comportamento condenável.

 

Para obter mais informações e recursos consultar o Livro de Resoluções de 2012, “Má Conduta Sexual no Seio de Relações Ministeriais” [“Sexual Misconduct Within Ministerial Relationships” (2044)] e o texto original desta resolução no Livro de Resoluções de 2004, pág. 155.

 

APROVADO em 1992

REVISTO E APROVADO EM 2000, 2008, 2016

RESOLUÇÃO 2045, 2008, 2012 LIVRO DE RESOLUÇÕES

RESOLUÇÃO 37, 2004 LIVRO DE RESOLUÇÕES

RESOLUÇÃO 31, 2000 LIVRO DE RESOLUÇÕES

 

Ver Os Princípios Sociais, ¶ 161J.